O trecho que me chamou a atenção no texto de Viñao Frago fala sobre a relação improdutiva/estéril do leitor com o livro:
"(...)
- Vamos ver, para mostrar a este senhor. Quem descobriu a América?
O menino não titubeia.
- Cristovão Colombo.
A professora sorri.
- Agora tu. Qual foi a melhor rainha da Espanha?
- Isabel, a Católica.
- Por quê?
- Porque lutou contra o feudalismo e o Islã, realizou a unidade de nossa pátria e levou nossa religião e nossa cultura para além dos mares.
A professora, satisfeita, explica ao viajante:
- É a minha melhor aluna.
A pequenina está muito séria, muito possuída de seu papel de número um. O viajante dá-lhe uma bala de café com leite, leva-a um pouco à parte e pergunta: (...)
- Bem. Vejamos, Rosario, tu sabes o que é o feudalismo.
- Não senhor.
- E o islã?
- Não senhor. Isto não.
A menina está perturbada e o viajante suspende o interrogatório." (p. 18)
Ao final do trecho indicado, o autor ressalta que a menina fala como um livro que não entende, mas sua inteligência é avaliada pela leitura memorizada.
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